sexta-feira, 19 de junho de 2009

War on Terror.

Depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001, o governo do agora ex-presidente George W. Bush declarou uma "Guerra contra o terror".

O que pouca gente parece saber por essas bandas é que essa não foi a primeira vez que os EUA fizeram essa declaração e tomaram ações contra terroristas.

Na década de 80 do Século XX, o presidente Ronald Reagan tinha colocado o mundo em polvorosa ao anunciar uma "Guerra contra o terror", mais especificamente contra o terrorismo islâmico patrocinado pelo então terceiro maior inimigo americano, a saber, a Líbia de Muammar al-Gadaffi.

O resultado foi um imbroglio no Oriente Médio, com ataques aéreos à Líbia, envolvimento no Líbano e confusão generalizada com os países produtores de petróleo.

Vinte e poucos anos depois, os EUA estão em situação definitivamente melhor com relação aos países islâmicos mais fortes. As relações com o Irã ainda são de inimizade e ameaça, e a Síria ainda é tratada como patrocinadora de terroristas, mas o Egito, a Arábia Saudita, a Jordânia e a Turquia são aliados ou simpatizantes dos norte-americanos. Outros países islâmicos mais distantes, como Paquistão (pelo menos por enquanto), Marrocos, Tunísia e Argélia também são favoráveis aos EUA.

Podemos começar uma análise sobre a situação atual dizendo que o 11 de Setembro (daqui para frente usarei a notação inglesa 9/11, simplesmente para economizar espaço) realmente não alterou a situação real de maneira substancial. O ataque anterior ao WTC só não teve tanto sucesso, mas foi quase tão chocante quanto o mais recente (ou pelo menos deveria ser). No 9/11, os americanos simplesmente foram incluídos no gira-gira do terrorismo violento internacional de maneira mais dramática.

Mas se o 9/11 não alterou a posição real de maneira substancial (afinal, os americanos ainda lidam com os países que dão suporte aos terroristas da mesma maneira que antes), ele teve sim um efeito enorme nas aparências e, ao contrário do que uns podem imaginar, as aparências importam, e muito.

Importam porquê possibilitam, em meio a um regime democrático, uma certa latitude de ação que, em outras condições, seria impossível. O Patriot Act de 2002 é um documento altamente anti-democrático, que dá ao presidente norte-americano poderes que, de certa forma, circunscrevem a Constituição e o Bill of Rights (este último contendo as primeiras 10 emendas à constituição).

Algumas provisões do Patriot Act foram revogadas pouco antes da passagem de governo para o atual presidente, Barack Hussein Obama, e mais algumas ainda foram terminadas após a transição. Mas o corpo principal do Act continua operando e pode ser utilizado pelo atual presidente da mesma maneira que o anterior. Uma das provisões mais radicais é a habilidade dada ao governante de declarar qualquer pessoa, inclusive in absentia, um unlawful enemy combatant, algo como um soldado sem país e, portanto, sem direito aos benefícios dos tratados internacionais que regem o tratamento de prisioneiros de guerra (conhecidos pelo nome geral de Convenções de Genebra).

As consequências dessa provisão são óbvias, incluindo a possível tortura de prisioneiros e a apreensão com suspensão do Habeas Corpus, negando o direito à defesa.

Levando o assunto para o lado da Guerra, temos que fazer várias considerações. A primeira, e maior, é que os ataques do 9/11 levaram a duas Guerras de tamanho respeitável, no Afeganistão e no Iraque. A segunda é a de que essas Guerras, realizadas com pequena separação de tempo, estão mantidas até os dias de hoje, oito anos depois dos ataques, e não parecem ter previsão de término muito definida. A terceira é a idéia de que a Guerra no Afeganistão teve uma característica de Guerra justa, enquanto que a no Iraque foi considerada, antes mesmo de começada, como uma guerra injusta. Estas considerações tem que ser abordadas individualmente e em suas relações.

Balizando estas considerações está o fato de que o inimigo, considerando 9/11 como o ponto focal do ataque aos EUA, não era uma nação, e sim um grupo de indivíduos pertencentes à uma organização terrorista. De fato, a maioria absoluta dos terroristas (incluindo o próprio Osama bin Laden) no 9/11 eram sauditas, e não afegãos ou iraquianos.

As Guerras do Afeganistão e Iraque tem suas diferenças, mas são talvez mais semelhantes do que possa parecer. No Afeganistão, os EUA (e sua "Coalition of the willing") encontraram um governo fraco e uma organização primariamente tribal, mas também uma população islâmica que era pressionada por este governo. O caso iraquiano é um pouco diferente no que concerne ao governo. Saddam Hussein tinha punho de ferro e controle completo sobre seu país, incluindo aí o controle dos suprimentos de comida enviados durante o programa "Oil for Food", que ele muitas vezes segurava para garantir a obediência de seus cidadãos (quase digitei "súditos"). Mas o caso é o mesmo no que concerne a população civil, dominada e forçada a se sujeitar aos desejos do governo.

Independentemente desses fatos, as Guerras tem que ser consideradas dentro do aspecto de luta contra o terrorismo. E isso quer dizer que, mesmo que seja apenas uma desculpa ou uma distração dos reais motivos, a guerra contra o terror acabou tomando o aspecto de justificativa na mente da população americana. E isso é, sim, importante.

O Afeganistão foi invadido com uma justificativa relativamente simples, a de que o governo de Kabul dava suporte financeiro e de treinamento à al-Qaeda de Osama bin Laden, e portanto era um país que possibilitava as ações terroristas do grupo.

Pensemos um pouco sobre esse assunto. Que bin Laden estava baseado no Afeganistão não há a menor sombra de dúvida. Mas será que isto justifica uma guerra contra um país, sendo que as ações foram tomadas por um grupo particular? Em minha opinião, sim. As relações políticas internacionais são balizadas por uma idéia ainda proveniente da Paz da Westfália, no século XVII. Essa idéia tem a ver com o Estado-Nação, e opera com o intuito de garantir um certo equilíbrio nas relações de poder entre os Estados.

O terrorismo se inseriu nesse contexto como uma força política (porquê eles tem sim um propósito político, para a felicidade de Clausewitz) sem nação, mas é difícil de ver as ações de grupos terroristas islâmicos sem associá-los a alguns Estados-Nação específicos. O caso de grupos como o IRA e o ETA são mais complicados, porquê eles derivam muito mais do nacionalismo do que de uma visão de mundo baseada na luta entre religiões e Ocidente/Oriente. No caso islâmico, há provas suficientes de que Estados como Irã, Síria, Líbia, Afeganistão e alguns outros menos importantes dão suporte operacional a grupos terroristas dos mais diversos, incluindo a al-Qaeda.

Quando um Estado decide tolerar, ou dar suporte ativo a, grupos terroristas, ele deve estar preparado para ser tratado como tendo fornecido Casus Belii para os Estados atacados por tais grupos. O sistema internacional funciona dessa maneira, e devo dizer que acho corretíssimo que assim seja. Se meu país fosse atacado por um grupo terrorista baseado na Argentina e tolerado ou financiado por ela, seria totalmente a favor de uma Guerra.

O melhor grupo de controle, neste caso, é o Paquistão. Até recentemente, o Paquistão era aliado dos EUA na região, e por um simples motivo, não tolerava os grupos terroristas. Sabia que eles existiam e os perseguia, inclusive com batalhas sérias na área norte do país. Mas o governo do então presidente, Pervez Musharraf foi perdendo força e os terroristas se infiltraram na área norte. O maior erro do Paquistão foi não reagir com firmeza no primeiro momento. Com o passar do tempo, a al-Qaeda simplesmente se tornou forte demais no norte, entrincheirada e com o apoio de tribos fundamentalistas, e um acordo foi feito, semi-informalmente, entre os terroristas e o governo paquistanês. O recente impeachment de Musharraf apenas cimentou a situação do Paquistão como possível alvo futuro.

Com o ataque no Afeganistão, os EUA conseguiram um de seus objetivos, que era pressionar a al-Qaeda contra a parede, secar a fonte de locais de treinamento e concentração para o grupo de bin Laden. Mas, ao mesmo tempo, abriu espaço para a desetabilização do Paquistão, até então poderoso aliado.

E então vemos o Iraque. Essa guerra tem problemas desde sua concepção até sua execução e desenlace.

Os problemas começaram quando a guerra foi proposta. O argumento era de que Saddam Hussein era patrocinador de organizações terroristas e, especialmente, da al-Qaeda. Aliado a isso havia o suposto fato de que Hussein possuía armas de destruição em massa (WMD), químicas com certeza, nucleares e biológicas como possibilidades.

Dessas afirmações, a única que se salva em vista do que descobrimos posteriormente é a de que ele possuía armas químicas. Até hoje não houve nenhuma comprovação de alguma relação entre Hussein e organizações terroristas. Isso não quer dizer que ele adorava os EUA, muito pelo contrário, mas quer dizer que ele não era louco o suficiente para cometer o mesmo erro do governo Taliban do Afeganistão (que eu qualificaria como despirocado). Hussein conhecia o sistema internacional bem o suficiente para entender que o suporte à um grupo terrorista seria levado muito a sério pelos americanos. Além do mais, sabemos que ele detestava bin Laden e a al-Qaeda, que tem uma agenda bem diferente da que ele propunha (a saber, que ele seria o líder ideal para uma mega-nação pan-islâmica, algo que nunca interessaria a bin Laden).

Sobre as WMD, sabemos que ele tinha suprimentos antigos de gás mostarda, que ele inclusive utilizou contra os iranianos na guerra de 1980-88 e contra os Curdos no norte do Iraque. Mas eram suprimentos ruins, antigos e mal guardados, além de boa parte ter sido confiscada na primeira Guerra do Golfo em 1991. O que foi encontrado em 2003 e 2004 mal daria para fazer cócegas em um pelotão, quanto menos ser usado em um ataque em massa.

Apenas para reforçar, nenhuma arma nuclear ou biológica foi encontrada, e jamais será. Ele simplesmente não as tinha.

E aí retornamos a algo que eu tinha mencionado em meu primeiro post, o fato de que os objetivos políticos podem variar ao longo de uma guerra. Depois que ficou claro que Hussein não possuía WMD, o governo americano mudou sua posição, afirmando que o objetivo sempre tinha sido libertar o povo iraquiano e passar a soberania de volta à eles assim que possível. Devido a algumas ações inexplicáveis de Paul Bremer, que gerenciava o Iraque pós-invasão, tal como a decisão de extinguir o exército do dia para a noite (colocando 500 mil homens armados no olho da rua), a passagem de governo para os iraquianos se tornou algo quase impossível. Aliando-se isso à explosão da violência religiosa internecina, com Sunitas e Xiitas degladiando-se em plena luz do dia, a justificativa teve de mudar novamente. Em 2004-05, a retórica passou para a idéia do nascimento de uma tradição democrática no Iraque, a ser implantada por um governo de transição com o suporte americano.

O problema desse conceito é a própria transição. Como transformar uma sociedade hierárquica e baseada em relações de poder muito mais cruas em uma democracia? E, mais ainda, como fazer isso na base da bala? Esses são os problemas que os americanos ainda enfrentam no Iraque hoje, seis anos após a invasão.

Além disso tudo, o Iraque também afetou seriamente o force commitment no Afeganistão. Isso quer dizer que ficou mais difícil levar a Guerra do Afeganistão a uma conclusão aceitável, e é fato que hoje os americanos estão começando a perder terreno e o Taliban está lentamente retornando, reestabelecendo sua base de poder nas aldeias do nor-nordeste do país.

Aliás, essa é uma análise de grande interesse para mim. O problema do exército norte-americano hoje é pura falta de tropas. Parece ridículo afirmar que um país de 300 milhões de pessoas pode ter falta de tropas, mas é esse o fenômeno que podemos verificar nos dias de hoje. Com duas Guerras significativas mas não tão amplas como um Vietnã, por exemplo, os americanos superextenderam suas forças de maneira assustadora.

Eles tem usado um sistema de reposição e revezamento baseado em Brigadas (mais ou menos metade de uma Divisão, ou cerca de 7 a 8 mil homens - as divisões americanas ainda são as maiores do mundo). Algumas Brigadas de infantaria já chegaram a fazer cinco Tours of Duty, o que significa que elas simplesmente foram mantidas no TO (Teatro de Operações) quase que constantemente, com pequenos períodos de rotação nos EUA.

O resultado é que o exército americano encontra-se exausto. E se isso não lhe parece perigoso, eu preciso de alguém para buscar uma mercadoria em Tikrit e acho que você seria o indivíduo perfeito para o serviço...

Em suma, a ilegitimidade da Guerra do Iraque acabou por colapsar o suporte maciço que os EUA tinham quando invadiram o Afeganistão, e dissipou a simpatia que a opinião pública parecia demonstrar quando ocorreu o 9/11. Ainda mais, o legado do governo Bush acaba sendo uma situação internacional mais anti-americana do que em qualquer período exceto durante a Guerra do Vietnã, inclusive refletindo em uma postura mais dura da União Européia face às necessidades estratégicas americanas, além de uma relação mais difícil com a China, ainda mais quando se considera o problema cada vez maior representado pela Coréia do Norte (DPRK - República Democrática do Povo Coreana, que não é uma república, não é do povo e muito menos democrática).

8 comentários:

  1. Legal este post. Bem construído. Eu acho que para entendê-lo melhor, e estender o assunto da guerra contra o terror, seria uma boa idéia fazer uma mega pincelada na evolução do mundo mulçumano até agora. Eu digo isso, pois, no meio do mundo, eles se destacam (culturalmente), e eu sei lá como. Já ouvi um argumento que eu achei interessante.

    Vou tentar argumentar na minha ignorância. Sabe-se que, um dia, a cultura islâmica foi uma das culturas mais avançadas do mundo. Desde então, a evolução dessa cultura tem sido bem independente, e portanto diferente, da cultura ocidental. O argumento seria que, o contato com as máquinas de guerra do mundo moderno, acessível pelo poder de barganha adquirido pelo petróleo, se mostrou um choque cultural para uma "sociedade" que não estava pronta. Ato contínuo, deu no que deu.

    O que eu queria, na verdade, não é nem que você decorra sobre esse argumento, mas sim, que possamos ter uma base histórica do mundo mulçumano para que, pelo menos, faça sentido a guerra do outro lado da trincheira. Principalmente porque eu acho que tem muito pouca gente no mundo ocidental que é, de fato, capaz de conceber a motivação de guerra dos grupos terroristas, e até dos Estados (não vou falar governos) que os abrigam/financiam.

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  2. Concordo com a maioria do que você disse, mas não com tudo (para variar). Espero que você tenha sorte com sua mercadoria... ouvi dizer que Tikrit é muito seco nessa época do ano e eu, além de buscar no mais das vezes evitar a fadiga, não me dou muito bem com ar seco.

    Queria começar colocando a seguinte questão, que é para mim mais importante do que quaisquer outras que eu tenha (e, no caso, eu de fato tenho). Você parece obviamente confiante na asserção de que o Afeganistão dava suporte as organizações terroristas. Eu queria problematizar isso um poquinho.

    Em primeiro lugar, a meu ver, isso teria que ser uma postura oficial do governo afegão e não simplesmente algo que a elite afegã perpetuasse por baixo dos panos. Porque? Porque eu acredito que um estado nação fala por seus cidadãos, e nesse sentido a sua fala é revestida de um certo poder. Ele pode falar por seus cidadãos. Ele os representa. E ele só os representa nessa fala. Porque eu estou dizendo isso? Porque não me parece suficiente dizer que grupos sociais específicos, sejam eles a elite ou não, financiam o terrorismo no afeganistão para que se declare uma guerra ao país.

    Se amanhã nós descobríssemos que a UDR, com todos os seus deputados, patrocina o terrorismo islâmico no interior do Brasil, eu não acho que esse ato é representativo do estado brasileiro, como representante dos cidadãos brasileiros. Nesse sentido, eu diria que um ataque contra o Brasil não seria justificado. Outra coisa é se o governo Lula começar uma campanha nacional para arrecadar fundos para o Hamaz. Aí sim, entende?

    Eu confesso que talvez a linha que eu esteja traçando seja um tanto quanto fina. Mas eu argumentaria que esta linha existe efetivamente. E que não é absolutamente legítimo que se responsabilize o governo afegão por atos que se tem notícia através de material de inteligência. Tipo, que os EUA digam que CIA tem informações certas de que o Afeganistão está patrocinando os terroristas não é suficiente para mim. Uma guerra pode ser declarada, a meu ver, contra um estado nação que fala por si mesmo. Nesse caso isso não aconteceu. Ou aconteceu? Existe algum outro fator que te deixe tão confiante assim para falar dessa maneira? Eu pergunto primeiro porque eu não acompanhei esse processo na minúcia, e depois porque a partir da sua resposta talvez várias das minhas outras questões não se mostrem nada pertinentes.

    Outro belo post. Keep up the good work, and stay the hell away from Tikrit...

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  3. Maneiro, botei o blog no meu RSS e recebo os novos posts automaticamente. Acabo de descobir que tem comentarios. :)

    Entao, um input um aproach mais tabloide/debiloide/tv da coisa:

    O que foi o 9/11? Muita coisa ta mal esplicada:
    As torres caindo reto como se tivessem sido detonados.
    Um aviao no pentagono? Ou era um missil?
    Quem sao os principais suspeitos?
    Alguma agencia americana sabia e nao fez nada?
    Quem esta ganhando mais dinheiro com esse conflito?

    Tinha um documentario que falava disso mais eu esquesci o nome... O engracado e que a ultima temporada de 24horas esplica como a culpa de TUDO de ruim de TODAS outras temporadas foi a culpa de um grupo americano de empresas que queria lutar contra o governo...

    Ate mais.

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  4. Cara, muito interessante tua análise. Tu escreves bem. Que tal uma análise do mesmo assunto incluíndo como tópico a 'pequena' indústria bélica norte-americana e todos os seus meandros pela política dos governos passados e presente? Eu acho que uma das maiores 'justificativas' pra essas guerras todas vem dessa 'força escondida', mas como tu és o historiador, melhor tu falando do que eu falando! hehe...abraço

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  5. Bom, o Taliban teve uma postura oficial mutante.

    Lembremo-nos que o Taliban chegou ao poder expulsando os Mujahedeen que lutaram contra os soviéticos.

    Mas apenas dois anos depois de tomarem o poder, eles aceitaram a entrada da al-Qaeda no seu território, principalmente devido ao fato de que bin Laden era mais rico do que o Afeganistão como um todo. Basicamente, bin Laden virou o banqueiro do Taliban.

    Ao longo dos anos, as declarações oficiais do Taliban mudaram de um distanciamento dos atos terroristas, para um silêncio aprovador até um coro de declarações de afeto eterno e suporte aos mártires.

    Esta mudança não passou despercebida pela comunidade internacional. As Nações Unidas passaram duas Resoluções do Conselho de Segurança, em 1999 e 2000, condenando o país pelo suporte à organizações terroristas e ordenando o fim das relações com entidades como a al-Qaeda.

    Pegando a sua metáfora, seria como se a UDR sustentasse o Brasil monetariamente, iniciasse um processo de integração com o governo brasileiro, utilizasse bases do exército brasileiro para treinar e tivesse porto seguro em qualquer área que o Brasil controlasse. Aí sim chegaríamos a uma analogia mais realista.

    E, diga-se de passagem, eu seria totalmente a favor de bombardearem o Brasil nesse caso.

    Pode até ser argumentado que o Taliban não passava de um bando de pelegos servindo aos seus interesses econômicos mais que qualquer outra coisa, mas fica difícil sustentar uma divisão entre o governo afegão e a al-Qaeda quando o site oficial do Taliban sai do ar no mesmo dia dos ataques terroristas da al-Qaeda, já que ficaria meio difícil justificar distância entre os dois quando o website oficial do seu governo diz coisas como "Vida eterna aos mártires do Islã!"...

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  6. Mythbusting!

    "As torres caindo reto como se tivessem sido detonados."

    Esse fenômeno é muito bem compreendido e resulta do fato de que o colapso estrutural se deu por enfraquecimento das barras de aço que fazem parte da estrutura do concreto-armado.

    Os prédios não caíram diretamente por causa do impacto, mas sim porquê o concreto-armado em fogo enfraqueceu a durabilidade intrínsica do material que não mais pode aguentar o próprio peso.

    O processo é tão consistente que se repetiu quase que de maneira idêntica nas duas torres, provando que os ângulos de impacto foram relativamente irrelevantes.

    "Um aviao no pentagono? Ou era um missil?"

    Temos vídeos relativamente claros de câmeras externas do Pentágono mostrando o avião atingindo o prédio.

    Os vídeos só não são perfeitos porquê as câmeras são de baixa exposição, o que quer dizer que elas foram projetadas para distinguir seres humanos se movendo, e não uma aeronave a cerca de 500mph.

    "Quem sao os principais suspeitos?"

    Nós já temos desde 2002 os nomes dos 19 ocupantes terroristas dos vôos, além de todo o processo que os levou aos EUA, seu aprendizado de pilotagem em escolas americanas e sua ligação com a al-Qaeda de Osama bin Laden.

    Não há a menor dúvida que o culpado pelos ataques de 9/11 foi a organização al-Qaeda.

    "Alguma agencia americana sabia e nao fez nada?"

    A CIA certamente estava alerta para a possibilidade de ataque, e um memorando de agosto fala sobre "al-Qaeda determinada a atacar os EUA".

    Mas detalhes são muito difíceis de obter, e certamente não houve má fé. O que a CIA pode ver lançado contra ela é uma falta de energia na comunicação dessas possibilidades ao chefe de governo (Bush) e ao Secretário de Defesa (Rumsfeld).

    "Quem esta ganhando mais dinheiro com esse conflito?"

    Vários campos estão fazendo dinheiro:
    *A mídia está faturando alto com o fato de que há algo interessante a ser discutido todo dia pelos últimos 6 anos.
    *Empresas envolvidas no processo de reconstrução estão faturando com o fato de que você precisa pagar mais para uma empresa se dispor a enfrentar terrorismo e violência diária durante a reconstrução em si.
    *Elites iraquianas que foram colocadas em evidência depois dos conflitos internos de 2004-?? também devem estar felizes. Também temos que levar em consideração os políticos iraquianos que agora tem um governo parcial em suas mãos e estão agindo como qualquer bom político em um país subdesenvolvido com recursos naturais desejáveis...

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  7. Rafael,
    tem um artigo grandão sobre McNamara no obituário do Globo hoje (terça-07/07). Falar sobre Vietnã?

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  8. Estou aqui matutando sobre o que será meu próximo post....a morte do McNamara pode ser a chave para me inspirar.

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